Musée du Quai Branly.
A visita que fiz ao Musée du Quai Branly foi outro passeio que adorei fazer acompanhada.
A Katryn só estudou na Paris Langues por duas semanas e, por esse tempo, ela foi uma ótima companhia. Ela tinha acabado de terminar o Ensino Médio e estava tirando um ano sabático na França antes de começar a faculdade de medicina. A Katryn veio da Alemanha para trabalhar em um restaurante, morar em uma república e viver um pouco a vida antes de mergulhar de cabeça em um curso que exigiria 7 anos de estudos intensos. Apesar de super tímida ela era ótima e estava doida para fazer amizades…
O Musée du Quai Branly é o principal museu francês quando o assunto é arte asiática, africana, da Oceania e de populações indígenas americanas. Para começar, ele é relativamente novo (funciona desde 2006) , tem uma localização central (quase ao lado da Torre Eiffel) e uma arquitetura linda: em um jardim super verde, pilares erguem e sustentam a estrutura do museu colorido.
Os Jardins do Quai Branly já dão o tom do que vamos encontrar lá dentro: enquanto os jardins de Paris são aquilo que a gente conhece, certinhos, retinhos, aparadinhos, fofinhos, nesse as árvores e plantas dão a impressão de crescer de maneira mais livre, a vegetação é maior, às vezes esconde um pouco o edifício.
As coleções são divididas por continente e arranjadas por países, assim você viaja de cultura em cultura, não apenas olhando as obras, mas também ouvindo sons, assistindo vídeos e lendo muitas explicações sobre aquelas outras civilizações. Os “continentes” são cada um de uma cor e a iluminação tem um papel muito importante na apresentação das coleções.
Fiquei infeliz novamente com a impossibilidade de tirar fotos dentro do museu… Chato isso, né? Dizem que flashes danificam obras de arte, mas já que é assim poderiam permitir que fotografias sem flash fossem tiradas… Mas enfim, com fotos ou sem fotos visitar o Quai Branly é uma experiência única e bem diferente do que estamos acostumados em museus comuns, afinal lá é possível ter contato com culturas muito distantes, totalmente fora do nosso alcance no dia-a-dia.
Para chegar: estação Alma-Marceau, linha 9. Horário de funcionamento e tarifas: checar no site.
Musée Rodin.
O passeio ao Musée Rodin foi bastante especial, pois além de ser um dos lugares que eu mais queria visitar em Paris (tenho a impressão de que falo isso para quase todos os lugares, mas enfim: tem alguma coisa naquela cidade que eu não queria visitar?), foi um dos passeios que fiz com as amigas que encontrei por lá. Essas meninas são russas e mantenho contato com elas com até hoje porque elas foram muito legais comigo, me fizeram companhia por três semanas e são super divertidas! Eu, que ADORO a cultura russa, aproveitei para saber mais sobre o país e para aprender a falar palavrões em russo… =P
A Polina e a Yúlia estavam viajando juntas, e estavam hospedadas no mesmo andar que eu. Perdi as contas de quantas ‘soirées des filles‘ fizemos no quarto do Fiap onde queijo, vinho e Lindt eram os reis! É muito bom ter contato com gente de cultura tão diferente, conversar, trocar impressões sobre a vida e sobre o mundo… Quem viaja sozinho não pode ser tímido, tem que ser cara-de-pau e forçar amizade! Na minha primeira semana em Paris eu fiquei muito sozinha, com vergonha de ser forçante… Mas depois a necessidade de comunicação falou mais alto e eu esqueci que sou tímida. Foi a melhor coisa que fiz, pois tive momentos super divertidos com ‘Les Petites Russes‘! :)
As esculturas de Rodin são muito impactantes. De tão detalhadas que são, me parecem humanos que foram petrificados em momentos de emoção intensa.
O museu ocupa uma mansão do século 18, onde Auguste Rodin viveu por quase 10 anos. Após sua morte ele legou suas obras ao Estado e agora elas estão expostas em ordem cronológica dentro do edifício. No jardim estão algumas de suas esculturas mais conhecidas como O Pensador e as Portas do Inferno.
Tão intensa quanto suas esculturas, foi a vida de Rodin. Muitas paixões, muitas mulheres, vários amores. No site do museu estão disponibilizadas ‘fichas educativas‘ contando a vida do escultor para quem quiser saber mais sobre sua biografia. Em francês e em inglês.
Para chegar: estação Varenne, linha 13. Horário de funcionamento e tarifas: checar no site.
Genebra IV
Após a visita ao Palácio das Nações, eu fui explorar o centro histórico. Eu tinha planos de visitar o Museu da Cruz Vermelha, porém ele estava fechado para reforma e só reabre em 2013. Peninha, precisarei voltar em Genebra!
Como não poderia deixar de ser, entre o Palácio e o Centro Histórico, me perdi.
É muito normal eu me perder quando viajo sozinha. Não sei se peguei o tram errado ou se desci na parada errada, mas foi um custo retomar o rumo ao Centro Histórico! Pelo menos Genebra é uma cidade fofa e segura aonde quer que você vá, logo, tirei muitas fotos no caminho e me diverti passeando por canteirinhos e vendo velhinhas caminhando na rua com cachorros minúsculos.
Mas depois que consegui chegar ao centrinho histórico, foi fácil me mover por lá. A Place du Bourg-de-Four é uma praça central, rodeada de cafés restaurantes e hospedarias antigas. Na Idade Média havia um mercado aí.
Logo ‘acima’ dela, subindo a ladeira da Rue de la Fontaine, fica a Cathédrale de St. Pierre, uma igreja do século 13.
A cidade velha de Genebra faz jus à nossa imaginação do que deve ser uma cidade antiga européia. Ruelinhas, ladeiras, prédios em pedra um grudado no outro, telhados fofos. Melhor que escrever é deixar algumas fotos falarem.
Próximo ao centro histórico, a sudeste da Place du Bourg-de-Four, fica o Musée d’Art e d’Histoire.
Confesso que não foi o museu mais legal que visitei, afinal eu já estava careca de visitar museus na França e estava ansiosa pelo Musée Magritte, que viria com a minha viagem a Bruxelas. Mas o legal desse museu aí, é que ele é gratuito, como quase todos os museus da cidade de Genebra!
No meu último dia em Genebra, domingo, choveu tanto que parecia até que eu estava em Brasília! Chovia a cântaros, uma chuva grossa, fria, horrorosa… Eu acordei tarde, me agasalhei conforme podia – era verão, eu só tinha um casaco leve – e fui para o centro, mas a chuva não parou um minuto sequer. Passei grande parte do dia sentada em um ou dois cafés, lendo. Foi bom por um lado, pois eu estava bastante cansada do dia anterior. Aproveitei também para visitar a Maison Tavel, uma grande casa de pedra, a mais antiga de Genebra, que hoje abriga o Musée du Vieux Genève.
Gostei bastante: a casa existe desde 1303 e uma de suas características mais marcantes é o fato de sua fachada ser decorada com cabeças, feitas de pedra, de humanos e de animais. Eu gosto muito de museus que contam a história da cidade e mostram os hábitos cotidianos dos antigos moradores, então fiquei bastante satisfeita com o segundo andar do edifício, onde um conjunto de mais de 10 salas exibe um apartamento completo de uma família urbana do século 17. Outra coisa bastante interessante é uma maquete gigante da cidade, que fica no sótão , feita em 1850.
(Infelizmente, não pude tirar nenhuma foto do exterior já que minha câmera não é à prova d’água e dentro do museu era proibido!)
No fim da tarde, peguei minha mochilinha e voei de volta a Paris – não sem contra tempos: o vôo da Air France atrasou umas 4 horas (eu não disse que estava caindo um dilúvio?) e, como eu chegava no aeroport Charles-de-Gaulle, que fica longe da cidade, eu QUASE perdi o último trem em direção ao centro. E quando cheguei, na hora de comprar o ticket todas as máquinas estavam fechadas, só funcionava UMA e ela só aceitava notas específicas de euro. Notas essas que eu obviamente NÃO tinha. Eu possuía alguns euros, mas nenhuma das notas que a maldita máquina pedia… Quando o trem já estava quase partindo eu consegui explicar rapidamente a minha situação para a única guardinha da estação (o desespero até faz o francês sair rápido e claro!) e ela me deu um ticket até a cidade. Ufa! Praticamente pulei dentro do trem quando ele já tinha tocado o primeiro apito, avisando a partida!
E assim terminou meu final de semana em Genebra. Uma cidadezinha tão fofa, limpinha e organizadinha que me dava até medo de estar fazendo alguma coisa errada por lá com meus tênis sujinhos… Muito, mas muito diferente de Paris. Só para deixar um exemplo, em Paris existem poucas latas de lixo com recipientes separados para a coleta seletiva; em Genebra haviam tantas opções que no começo eu ficava até meio zonza: não era apenas a separação básica de plástico, papel, orgânico e vidro, mas todos essas opções tinham subdivisões do tipo ‘vidro verde’, vidro transparente’, ‘garrafa de plástico’, ‘tampa de garrafa de plástico’, etc. =P
Até voltaria lá, mas seria para fazer um tour pelas cidadezinhas localizadas ao redor do Lac Léman.
Genebra III
No sábado pela manhã, fui até a parada de tram que tem na esquina da rua do hostel, esperei alguns minutinhos (um ou dois, já não me lembro) e rapidamente cheguei na estação Nations, na parte “internacional” da Suíça.

Broken Chair, escultura de Daniel Berset, feita para conclamar todos os países do mundo a assinarem a Convenção de Interdição à Fabricação de Minas Terrestres.
A Praça das Nações, com a escultura da Cadeira Quebrada, fica em frente ao Palácio das Nações, mas não é por aí que os turistas entram. Seguindo à direita, tem uma rua que sobe e é por ela que devemos caminhar até chegar à porta de entrada para visitas. O bom é que o caminho é super agradável e lindinho.
A única coisa chata que me aconteceu ao longo desse caminho foi dar de cara com o Musée de la Croix Rouge fechado para reforma. Eu havia planejado visitá-lo após a vista às Nações Unidas, mas ele só reabre em 2013…
Depois de alcançar a entrada correta do Palais des Nations, comprei meu ingresso por 10 francos e tive que esperar meia hora até a próxima visita guiada. Como era sábado, eles só tinham grupos em inglês e em francês, porém durante a semana eles disponibilizam visitas em mais de 15 linguas! Passei o tempo na lojinha e tomando capuccino de uma máquina no hall que vendia o copinho por 0,50 centavos. A loja era legalzinha, mas caríssima, não tive vontade de comprar nada por lá.
Adorei a visita, achei que valeu super a pena! A guia era super simpática, falava francês de maneira clara, contou toda a história das Nações Unidas e do Palácio, falou sobre as dificuldades que a ONU enfrentou e enfrenta até hoje na sua tentativa de conciliar os países.
Infelizmente os jardins não são mais abertos ao público. Costumavam ser antigamente, mas fecharam depois de receberem ameaças de terrorismo… Uma pena, pois deve ser maravilhoso passear por esses jardins lindos.
O tempo de visita passou voando. É tão gostoso estar ali, visitando um lugar tão importante, ouvindo histórias tão relevantes à paz mundial, que mal vemos o tempo passar, nem sentimos essa mais de uma hora.
Genebra II
Cheguei em Genebra em uma sexta-feira as duas ou três da tarde. Como eu disse no primeiro post, foi facílimo chegar do aeroporto na estação central e, de lá, pegar o tram para o hostel (tudo de graça). Usei esse dia para fazer o reconhecimento da região onde estava, andar a esmo como adoro fazer.
Apesar do staff antipático e do café da manhã fraquinho, o Geneva Hostel tem uma ótima localização, bem próxima ao Quai du Mont-Blanc, espécie de “calçadão” que circunda boa parte do Lac Léman ali na parte central de Genebra. É só virar à direita ao sair do hostel, caminhar um pouquinho, cortar três ou quatro ruazinhas fofas e você está na parte mais bonita (e chique) da cidade.
Nessa região estão localizados os grandes hotéis e as lojas mais caras.
No final do Quai du Mont-Blanc, se você cruza a Pont du Mont-Blanc, você vai chegar ao Jardin Anglais, um jardinzinho super fofo, antes de alcançar o píer onde está localizado o famoso Jet d’Eau. Se você cruza a Pont des Bergues, na metade dela você vai alcançar uma ilhotinha artificial chamada Île Rousseau, onde fica uma estátua do filósofo.
Eu estava doida para chegar no Jet d’Eau: é a fonte mais alta do mundo, jorrando água a 140 metros de altura!
O detalhe é que quando eu finalmente cheguei no píer de onde sai o jato, não consegui tirar nenhuma foto que preste… Primeiro porque espirram muitas gotinhas d’água e segundo porque ele é mais fotogênico de longe mesmo! :)
Antes de tirar essa foto, eu estava na beirada do lago observando uma família de patos. Daí um casal de meia idade se aproximou de mim e puxou assunto. Eles eram suíços, de Genebra mesmo, e eu até achei meio estranho, pois na beira do lago quase só tem turistas. Ficamos um bom tempo conversando, eles tiraram essa foto para mim, e depois de alguns minutos eu saquei que eles eram cristãos fazendo evangelização! Não eram agressivos como os evangélicos brasileiros e me deram um DVD com a história da Suíça. Eu não gosto de religião, mas eles foram tão educadinhos que não os enxotei.
Detalhe que aí, na beira do Lago, onde ficam os hotéis estava CHEIO de muçulmanos e esse casal estava meio que se lamentando que a Suíça, um país de formação cristã, estivesse hoje em dia totalmente tomada por pessoas de religião islâmica. E nessa região tinha mais mulheres de niqab do que em qualquer outro lugar que eu tenha visto. No começo dá um pouco de agonia, uma sensação de claustrofobia, ver aquela multidão de mulheres coberta da cabeça aos pés, com um pano preto na cabeça e apenas com os olhos de fora. Na França o governo proibiu que as mulheres tapassem o rosto inteiro e, para ser sincera, não vi nenhuma mulher vestida assim enquanto estive por lá. Mas em Genebra, quase não se via o véu que só cobre os cabelos, as mulheres cobriam tudo mesmo. O parzinho de olhos mega maquiados, a bolsa Hermès e os sapatinhos de salto de sola vermelha* faziam uma combinação muito estranha com aquele lençol preto de cima a baixo…
(Depois fiquei me perguntando se o casalzinho de evangélicos se aproximava dos muçulmanos também… )
Enfim, como no verão escurece muito tarde, eu aproveitei bastante a sexta-feira, aprendi a me locomover na cidade, senti o clima do lugar, visitei lojinhas e vi que o preço das coisas era mais caro que em Paris. Minha estratégia era almoçar na rua uma salada ou um sanduíche baratos e jantar no Hostel, que oferecia um plat-du-jour bem completo, com entrada, prato principal, sobremesa e bebida por 14 francos-suíços. Uma pechincha perto do que eu havia encontrado pela cidade. Depois de tomar um banho e jantar eu saía novamente para observar a cidade ao escurecer. Na sexta eu dormi cedo, pois no sábado eu precisava acordar cedinho para a visita mais esperada da viagem à Genebra: as Nações Unidas!
*A sola vermelha é a marca registrada dos sapatos Daniel Louboutin, uma das grifes de sapato mais caras do mundo.
Genebra I
A maioria dos brasileiros que viaja para a Europa resolve visitar várias cidades de uma vez só. Eu compreendo essa ânsia, afinal nosso continente está muito longe de lá, as passagens daqui pra lá são caras, enfim, Europa não é um lugar que podemos visitar com a frequência que gostaríamos. Mas eu escolhi fazer diferente. Eu não queria fazer o Turismo do Desespero (como disse um amigo) como vi muitas pessoas fazendo por lá. Eu decidi passar 1 mês em Paris, estudando a língua e flanando por aquela cidade e não quis sair viajando feito uma desesperada, tentando ver tudo o que tem em volta. Meus olhos famintos já estavam sendo suficientemente alimentados com as imagens superlativas da Cidade-Luz.
Fui muito questionada por alguns conhecidos que não entenderam a minha decisão, mas além de Paris só visitei mais 2 cidades européias: Genebra e Bruxelas. E não em arrependi em nenhum momento!
Comprei as passagens Paris-Genève pela Air France. A princípio a idéia era ir de trem, mas seriam muitas horas de viagem e indo de avião chegaria mais rápido, além de ser mais barato. O vôo foi super tranquilo e me truxe uma surpresa: passar voando perto dos Alpes! Foi lindo, tão lindo que fiquei hipnotizada e esqueci de tirar uma foto. Era a tarde e os raios de sol se refletiam nos picos branquinhos… Emocionante!
Genebra é uma cidade cara. Quando cheguei no aeroporto troquei meus Euros pelo Franco Suíço e fiquei até triste com a cotação… Mas algumas coisas são gratuitas, por exemplo o transporte para turistas. No aeroporto você se dirige para uma máquina de tickets que fica próxima ao desembarque e retira um bilhete para ir até o seu destino final em qualquer lugar da cidade. Tudo isso para incentivar o uso do transporte público e evitar a poluição, não é o máximo?
Quem viaja para a Europa no verão deve estar ciente de que esta é a época mais lotada, mais cheia de turistas, onde as diárias são mais caras. Mas também é uma época super alegre, onde muitos estão de férias, com aquele sorriso no rosto. Eu preferiria ter ido na primavera, mas só pude tirar férias da vida no mês de julho, então fiz o possível para que minha estadia desse certo e viajei sabendo do cenário. Fiz minha reserva no Hostel de Genebra pelo site da HiHostel com bastante antecedência. Foi a hospedagem mais em conta que encontrei, mas não foi o albergue mais legal onde já me hospedei. Custava caro, o café da manhã era apenas razoável, a equipe não era simpática e o pior, não tinha Internet sem fio: os hóspedes tinham que pagar 4 francos por hora para usar os computadores do Hostel. Felizmente eu havia levado o meu notebook e, como eu disse, Genebra oferece algumas coisas gratuitamente, entre elas a Internet sem fio. É só sentar em qualquer lugar e acessar a rede Villedegeneve.
O transporte dentro da cidade também sai de graça para os turistas. Isso mesmo! Quando cheguei no albergue, ao fazer o check-in, recebi junto com a chave do quarto um cartãozinho que me dava direito a andar gratuitamente no transporte público da cidade durante toda a minha estadia no hostel. Coloquei o cartãozinho na carteira e nunca mais tirei, pois em Genebra não existe nenhum tipo de catraca ou conferência da passagem.
Se locomover em Genebra é super fácil. Eu tinha o mapinha do guia que comprei aqui no Brasil mesmo e com ele conseguia me localizar super bem.
Foi muito tranquilo chegar aos meus destinos: as Nações Unidas, o Museu de Arte e História e o Centro Histórico da cidade. Mas esses ficam para o próximo post!
Île de la Cité e Île St-Louis
Paris é uma cidade extremamente “caminhável”. Você começa a andar, admirar a paisagem, se entreter com as lojinhas e cafés ao longo das calçadas, observar os detalhes dos prédios e quando se dá conta já se passaram horas…
As ilhas foram um dos meus locais preferidos para passear. Lá tem muito verde, muito charme e bastante contato com o Rio Sena…
Foi na Île de la Cité que Paris começou. Lá pelo ano 55 a.C, a pequena aldeia de pescadores da tribo Parisii, localizada ali, foi conquistada pelos romanos e a expansão teve início. Depois vieram os Francos, que a chamaram Paris, e na Idade Média ela tornou-se um centro, muito importante, de estudos e também religioso.

Catedral de Notre-Dame.
É na Île de la Cité que estão localizadas a Catedral de Notre-Dame, a Conciergerie, a Sainte-Chapelle, o Palais de Justice…
A Conciergerie (uma prisão onde ficavam presos os condenados à guilhotina durante a Revolução Francesa) e a Sainte-Chapelle valem muito à pena, mas é um passeio que se deve fazer com tempo, pois a carga histórica dos dois edifícios é enorme! Elas podem ser visitadas separadamente, mas comprando o ingresso conjunto (foi o que fiz) você tem desconto.
Toda vez que eu passava pela Île St-Louis eu fazia questão de parar e tomar um sorvetinho da Bertillon, uma sorveteria artesanal que está lá desde a década de 50.
Eu tentei entrar na Catedral de Notre-Dame umas três ou quatro vezes. E em todas elas a fila estava quilométrica, tão gigantesca que desisti. Da próxima vez que eu for a Paris eu conheço a igreja por dentro… Depois de algumas tentativas frustradas de visitar a Catedral eu resolvi conhecer a Crypte Archéologique, que fica em frente. Para quem curte história antiga a cripta é imperdível, pois mostra escavações de alicerces das construções mais antigas da cidade, inclusive pedaços de moradias dos Parisii.
No finzinho da Île St-Louis, bem na pontinha, tem uma pracinha fofa e uma vista maravilhosa.
Já na ponta oposta, no finzinho da Île-de-la-Cité, depois da Pont Neuf (a ponte mais antiga de Paris), existe uma outra pracinha, suuuuper fofa, que se chama Square du Vert-Galant. Ela tem esse nome por causa de Henrique IV, um rei conhecido por ter uma vida sentimental muito ‘movimentada’.
Sentar aí, com um livro na mão e com os pés doloridos foi delicioso. É um lugar silencioso, passei um bom tempo aí, lendo…
Para chegar nas ilhas: Estação Cité, linha 4. Depois é só colocar um pé na frente do outro e profiter! :)
Centre Georges Pompidou.
“L’art doit discuter, doit contester, doit protester.” – Georges Pompidou
(A arte deve discutir, deve contestar, deve protestar.)
O Centre Georges Pompidou, inaugurado na década de 70, causa controvérsias até hoje. Muito mais que um museu de arte moderna, o prédio de mais de 100 mil metros quadrados, foi projetado com a estrutura para o lado de fora, liberando assim o máximo de espaço possível no lado de dentro.
Lá dentro, além do Musée National d’Art Moderne (que ocupam o 4º e o 5º andar), existe uma biblioteca, um cinema (que exibe filmes underground), umas 2 ou 3 livrarias, um instituto musical e um espaço para apresentações onde rola umas festinhas de música eletrônica de vez em quando!
O que muita gente não sabe é que os tubos coloridos não são pintados aleatoriamente: os canos verdes são de água, os canos azuis são de ar, os caninhos amarelos são de eletricidade e os tubos brancos ‘saindo’ do chão permitem que o ar chegue ao subsolo.
Esse tubo “em zigue-zague” é a escada rolante que leva até o Museu de Arte Moderna.
Lá tem Dada, Picasso, Kandinsky, Dix, Juan Gris, Chagall, Georges Braques, até Andy Warhol. As obras de arte do Centro são escolhidas de acordo com o propósito da frase de Georges Pompidou citada no início do post: elas querem expressar alguma forma de protesto, de contestação, algum questionamento. Tem gente que não gosta. Eu adorei!
Para chegar: estação Rambuteau, linha 11. Horário de funcionamento e tarifas: checar no site.
Saint-Germain-des-Prés.
De longe o bairro onde mais gostei de passear em Paris. Voltei lá várias e várias vezes, apenas para flanar.
O melhor a se fazer é descer na estação St-Germain-des-Prés e caminhar nas ruas em volta, entrando e saindo da artéria principal que é a Boulevard Saint-Germain.
É curioso ver um bairro onde livrarias, sebos e cafés, convivem harmoniosamente com lojas de grife como Louis Vuitton, lojas de jóias e roupas caríssimas.
É em St-Germain que estão localizados os cafés mais ilustres de Paris: o Café de Flore e o Deux Magots, um ao lado do outro, em frente à Place Sartre-Beauvoir, nome dado em homenagem ao casal de escritores que trouxeram fama aos cafés ao escrevem por lá algumas de suas obras.

Não pude me impedir de imaginar o que ambos pensariam de uma praça com seus nomes. Acho que não iriam gostar nem um pouco!
Uma das melhores surpresas que tive ao caminhar a esmo por Saint-Germain-des-Prés foi La Crêperie du Comptoir. Seguindo na direção Metrô Odeon, do lado esquerdo, está a lojinha que vende o melhor crépe que já experimentei na vida! E quando eu digo “lojinha”, é lojinha mesmo, viu? Na verdade é apenas uma janela grande onde você pede o crépe, escolhe os recheios e paga. A melhor opção, na minha opinião, é escolher o formule de 5,50 euros: dois recheios e uma bebida. Os outros crépes que comi em Paris – talvez tenha dado azar, não sei – não eram tão bem recheados como esse, nem de longe! Detalhe: não tenho nenhuma foto do balcãozinho porque estava muito ocupada escolhendo os sabores e, logo depois, comendo todas as vezes que fui lá. Ah, obviamente você precisará encontrar um lugar para sentar-se e comer já que a creperia não possui mesas e cadeiras, mas é só seguir o fluxo de pessoas – o número de clientes é sempre grande e sempre tem gente sentada nas proximidades comendo.
Depois desse ótimo lanchinho, você pode aproveitar a viagem e visitar o Musée d’Orsay. Existe a opção de pegar o metrô na Estação Odeon que é ao lado da creperia, mas eu preferi ir andando – óbvio.
O Musée d’Orsay foi construído na década de 80 em uma estação de trem do século 19, que havia permanecido desativada por quase 50 anos.
É uma pena que tirar fotos lá dentro seja proibido, pois este foi um dos museus mais agradáveis que visitei. O museu expõe obras criadas a partir da segunda metade do século 19 até o comecinho do século 20 e seu forte são as obras impressionistas e ‘Art Nouveau’, como não poderia deixar de ser.
Saint-Germain-des-Prés e o Musée d’Orsay realmente valeram a visita. Foi uma tarde maravilhosa e, como eu disse, ainda voltei a passear pelo bairro no 1 mês que passei em Paris…
La Tour Eiffel
Foi um dos passeios mais esparados!
E aqui, uma observação: não tenha (muito) medo dos clichés. Obviamente viajar é descobrir coisas novas, viajar no esquema independente é sair dos sentiers battus, mas de algumas coisas não é possível escapar. Será que é possível visitar Paris e não dar nem uma espiadinha na Torre Eiffel?
Eu não gosto de “muvuca”, eu não gosto de lugar lotado e como eu já disse aqui eu não gosto do Turismo do Desespero, ou Maraturismo. Entretanto, eu fui a Paris em julho, pleno verão europeu, então eu tive que me adequar. Ou eu me adaptava e parava de praguejar metalmente ou não ia curtir a viagem e isso eu não poderia deixar acontecer de jeito nenhum!
Se você tem fobia de filas, como eu, a melhor opção é entrar no site da Torre Eiffel e comprar seu bilhete com antecedência. Você pode marcar o dia, a hora e escolher até que ponto da Torre você quer ir. Eu fui ao entardecer com a intenção de aproveitar o crepúsculo, mas o céu nublado de Paris não ajudou muito… Por outro lado, o festival de luzinhas da Torre piscando assim que anoitece é legal de se ver – de longe ou de perto!
É muito lindo observar as luzes da Cidade-Luz lá de cima!




















































































